30 de março de 2016

O uso do playback nas aves de rapina

Caburé-acanelado (A. harrisii), fotografada
após playback. Campos do Jordão/SP.
Foto: Willian Menq. 

Observar corujas e falcões-florestais (Micrastur spp) não é uma tarefa fácil. Os contatos visuais com essas aves são difíceis, na maioria das vezes são mais ouvidas do que vistas. Assim, não é raro ver observadores de aves ou fotógrafos usando a técnica de playback para atrair e fotografas aves.

É inegável que a técnica aumenta as chances de detecção de muitos rapinantes florestais, com ele é possível observar espécies que raramente seriam vistas ao acaso. Porém, o uso incorreto e irresponsável do playback pode espantar ao invés de atrair as aves, ou pior ainda, estressá-las. Existem poucos estudos sobre os impactos do uso do playack na avifauna, mas é provável que o uso prolongado possa causar perdas de territórios ou alteração na distribuição de espécies.

Infelizmente, já presenciei dezenas de vezes pessoas fazendo o uso exagerado da técnica, reproduzindo sons por um longo período ou em volumes exagerados.

Veja neste link algumas dicas e recomendações importantes para o uso do playack com aves de rapina.
http://www.avesderapinabrasil.com/playback.htm

20 de março de 2016

A harpia na Mata Atlântica


A harpia (Harpia harpyja), também chamada de gavião-real, é uma das águias mais possantes e raras das Américas, muito “desejada” por estudiosos e observadores de aves. A espécie conta com poucos registros na Mata Atlântica e são escassas as áreas que ainda dispõem de presas potenciais e território para abrigar a espécie. O desmatamento excessivo e a caça contribuíram significativamente para o desaparecimento da espécie em vários trechos de Mata Atlântica do país.

Na região sudeste, sua ocorrência está limitada aos trechos mais extensos e preservados da Mata Atlântica litorânea. No Espírito Santo conta com registros recentes na Reserva Natural da Vale do Rio Doce (Magnago 2015) e na Bahia nos complexos de montanhas Serra das Lontras-Javi e na Estação Experimental Pau-Brasil (ICMBio 2008; Santos 2015). Já em São Paulo, os últimos registros foram na região de Cananeia e nos Parques Estaduais de Jacupiranga e Intervales (Galetti et al. 1997; Willis & Oniki 2003; ICMBio 2008).

No sul do Brasil a harpia ocorre principalmente na Serra do Mar paranaense e catarinense (Scherer-Neto & Ribas 2004; ICMBio 2008), além de provavelmente habitar alguns fragmentos florestais no sul e oeste do Paraná, especialmente o Parque Nacional do Iguaçu/PR, que faz divisa com a floresta de Misiones (Argentina). Recentemente, D. Meller (2015) confirmou a presença da espécie no Parque Estadual do Turvo (noroeste do RS), através de um avistamento de um indivíduo adulto nas dependências do parque. O parque também faz divisa com Missiones, onde a espécie conta com alguns registros, inclusive de nidificação.

Apesar do grande tamanho, a águia é discreta e de difícil detecção, costuma ficar no interior da mata, dificilmente plana ou voa sobre a mata, também raramente pousa em locais expostos ou cruza áreas abertas, como rios ou trilhas na mata.

Mais sobre as aves de rapina da Mata Atlântica, acesse o artigo:
http://www.avesderapinabrasil.com/arquivo/artigos/avesderapina_mataatlantica.pdf






16 de março de 2016

Cauré (Falco rufigularis), o devorador de beija-flores!

O cauré (Falco rufigularis) é um falcão pequeno, ágil e veloz; caça desde andorinhões, periquitos, aves aquáticas pequenas, até morcegos e insetos. Caça principalmente a partir de um poleiro, de onde inicia rápidas perseguições contra suas vítimas.

Cauré (F. rufigularis) consumindo seu 2º beija-flor.
Durante um trabalho de campo no leste do Mato Grosso, em junho de 2014, registrei um F. rufigularis consumindo pelo menos três beija-flores em uma mesma manhã. Na ocasião eu estava amostrando a avifauna, através de redes-de-neblina, em uma floresta às margens de um grande rio.

Ao chegar no ponto de amostragem, por volta das 6:00 h, vi o F. rufigularis (macho adulto) empoleirado na borda da mata. O falcão estava em atividade de caça, atento a todos os movimentos das redondezas. Vi o falcão saindo explosivamente do poleiro e investindo sem sucesso contra um bentevizinho-do-brejo (Philohydor lictor), que voava pelo local. Após a tentativa de caça o falcão sumiu, até pensei que tinha mudado de poleiro, mas para minha surpresa minutos depois ele retornou com um beija-flor (Thaurulania sp) nas garras. Ali ficou e consumiu por completo a pequena ave. Cerca de 30 min depois, o mesmo indivíduo sumiu e retornou minutos depois com outro beija-flor (espécie não-identificada). E pouco mais de 40 min após o evento, o falcão desapareceu e retornou após 1 h com um terceiro beija-flor (Amazilia sp). Após o terceiro beija-flor, por volta das 11:00 h, tive que sair do local.

Achei incrível a eficiência desse indivíduo em capturar beija-flores em tão pouco tempo, são presas pequenas e muito ágeis. A impressão que tive é que o falcão os capturava do outro lado do rio, talvez se empoleirando em um poleiro estratégico próximo a algum arbusto florido, de onde interceptava ou perseguia os beija-flores. E talvez para evitar o comportamento de tumulto (mobbing behavior) por parte dos beija-flores, usava aquele poleiro (o que eu visualizava) para alimentação.



Determinadas características da vegetação influenciam na ocorrência de corujas

Coruja-do-mato (Strix virgata).
Os poucos estudos existentes sugerem que há uma forte relação entre a distribuição das corujas com as características estruturais da vegetação. Em áreas florestais por exemplo, a altura e a quantidade de árvores, presença de troncos caídos ou em pé, arbustos ou cipós, promovem diferentes micro habitats para forrageio e são imprescindíveis para a escolha de locais para nidificação.

Durante meu mestrado em Zoologia na Universidade Estadual de Londrina/PR, motivado com o tema, decidi testar essa hipótese em um remanescente florestal no noroeste do Paraná, verificar a influência de algumas variáveis da vegetação na ocorrência de corujas.

Desenvolvi o estudo na Reserva Biológica das Perobas, fragmento de floresta estacional semidecidual de quase nove mil hectares. Através de pontos de escuta no interior da mata, registrei 56 indivíduos de seis espécies de corujas. Também demarquei parcelas em cada uma das áreas de amostragem, para amostrar os diferentes componentes da vegetação (altura e perímetro das árvores, nº de árvores, ausência/presença de clareiras, trepadeiras, arbustos e serapilheiras, presença de troncos e árvores caídas).

Como resultado, notei que a altura do dossel, a presença de árvores ocas ou caídas e clareiras, são os componentes estruturais mais influentes na distribuição de corujas da reserva. A coruja-do-mato (Strix virgata) e a caburé (Glaucidium brasilianum) são mais frequentes nas áreas com maior presença de troncos mortos em pé. Alguns autores sugerem que a presença de troncos em pé é um fator essencial na escolha de locais para nidificação (Thorstrom 2001).

Espécie de maior porte (Strix virgata e Pulsatrix koeniswaldiana) são mais abundantes nas áreas com dossel mais alto (acima de 15 m), enquanto as corujas de menor porte (G. brasilianum, Megascops atricapilla e Megascops choliba) se distribuem de forma homogênea na floresta. Áreas com dossel mais alto refletem uma floresta madura, com maior abundância de árvores grandes, ocos e cavidades com maior abertura. Essas características estão associadas a uma maior variedade de pequenos mamíferos e aves, que são os principais itens alimentares das corujas maiores.

O artigo completo sobre o trabalho pode ser acessado no link abaixo:

Menq, W; Anjos, L. (2015) Habitat selection by owls in a seasonal semi-deciduous forest in southern Brazil. Brazilian Journal of Biology, 175.4: 143-149

14 de março de 2016

Urubus também caçam


Apesar deles não terem habilidades para a caça (por questões morfológicas), existem vários registros de urubus predando pequenos vertebrados, como lagartos, roedores, cobras, filhotes de tartaruga e etc., capturados em voos rasantes ou em solo.

Há alguns registros impressionantes, como o de Severo-Neto et al. (2014) (sequência de fotos abaixo) que registraram no interior do Mato Grosso do Sul, um urubu-de-cabeça-amarelada (Cathartes burrovianus) atacando de forma eficaz, com bicadas na cabeça, uma jararaca (Bothrops moojeni) viva. O relato é mesmo intrigante, acredito que o urubu tenha aprendido a reconhecer a serpente como alimento, de tanto visualizar outras mortas em estradas.

Sequência de fotos do urubu-de-cabeça-amarela (C. burrovianus) predando
a jararaca (B. moojeni), Severo-Neto et al. (2014). Fotos de: Sandro Paulino

Leia o artigo de Severo-Neto et al. (2014) sobre a predação de jararaca aqui

Informações gerais sobre os urubus do Brasil, neste link.

13 de março de 2016

Acompanhando os falcões-peregrinos de Maringá

Fêmea adulta do casal que monitoro desde 2012
em Maringá/PR.

Desde 2012, venho acompanhando a visita dos falcões-peregrinos (Falco peregrinus) na cidade de Maringá, noroeste do Paraná. Os indivíduos mais antigos são um casal que observo a cinco temporadas. Todos os anos aparecem juntos, sempre no mesmo local (uma torre de caixa d’água na periferia da cidade), compartilhando o mesmo poleiro. São poucos os relatos de casais nas áreas de invernagem, normalmente aparecem solitários. Nesta temporada só registrei a fêmea. Como é raro casos de indivíduos que mudam de área, desconfio que o macho tenha falecido.

No centro da cidade monitoro a "Ingá", uma fêmea adulta registrada desde 2013. Ingá descansa e pernoita em uma pequena estrutura em forma de plataforma no alto de um edifício, ao lado de um parque municipal.

Já às margens da rodovia PR-323, no município de Paiçandu, a 15 km de Maringá, acompanho a “Jessy”. Jessy é um peregrino (provavelmente fêmea) que venho observando desde a temporada de 2014. Essa, ao contrário da maioria, prefere se instalar nas áreas rurais, aproveitando a grande oferta de pombos (Zenaida auriculata) da região, e usando eucaliptos e outras árvores altas como poleiro de alimentação e descanso. Já registrei diversas vezes a ave consumindo pombos, pousada em um tradicional Eucalipto às margens da rodovia.

Uma característica interessante dos falcões é a sua fidelidade aos locais de invernagem, sempre retornando todos os anos para os mesmos territórios. A mesma fidelidade é observada também nos poleiros, tanto os de uso estratégico de caça, como os de descanso e alimentação.

Graças a essa fidelidade, é possível encontrar todos os anos os mesmos indivíduos. E através de fotos laterais e frontais, consigo comparar o padrão da plumagem (faixas malares e barras do peito) para diferenciar cada falcão e certificar que são os mesmos dos anos anteriores.

Casal monitorado na cidade desde 2012, fêmea (à esquerda), macho (à direita).
Foto: Willian Menq

Por que algumas águias brasileiras são chamadas de gaviões?

As espécies do gênero Spizaetus são um tipo especial de águias florestais, chamadas no inglês de “Hawk-eagles”, algo equivalente a “águias-açores”. A Harpia harpyja (gavião-real) e o Morphnus guianensis (uiraçu), também pertencem a um subgrupo especial de águias chamado “Harpy-eagles”, grupo na qual está incluida a Harpyopsis novaeguineae (harpia-da-nova-guiné) e a Pithecophaga jefferyi (águia-filipina).

Spizetus ornatus, poderosa águia florestal, denominada de "gavião" no Brasil.
Porém, essas águias são chamadas de “gaviões” em nossa língua. Assim, acabamos considerando o pequeno Gampsonyx swainsonii e a poderosa Harpia harpyja como pertencente a um mesmo grupo, o que é errado. Essas generalizações ocorrem por questões culturais e pela falta de nominativos para a nossa língua. Enquanto que na língua inglesa e espanhola os nomes comuns e os vernáculos técnicos apresentam coerência com a classificação científica, apresentando vários nominativos para cada grupo de aves (ex. Hawks, Kites, Goshawks, Harriers), no Brasil possuímos poucos nominativos e a maioria sem nenhuma fundamentação científica.

Ficou curioso para saber o que define uma “águia”, acesso o link.

Quer saber mais sobre as águias brasileiras, leia este artigo,

11 de março de 2016

Sobre as alterações nos nomes vernáculos da ultima lista do CBRO (2015)

No final de 2015, foi publicada a última lista de aves do Brasil elaborada pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (link). Dentre as novidades, está à alteração de mais de 100 nomes vernáculos técnicos (NVT’s) e a inclusão de novas espécies para o país. De acordo com o núcleo de NVT’s do CBRO, foram listados os nomes que pareciam inadequados ou impróprios pelo comitê. Esse rol foi amplamente discutido pelo grupo e as respectivas opções alternativas foram definidas em regime de votação. O fundamento para a indicação desses nomes partiu de "nomes usados pela população", "por sugestões recebidas por e-mail, listas de discussão”, “grupos em redes sociais”, ou por "indicações colhidas" aqui e ali em obras, narrativas e mesmo de grandes escritores da literatura.

Nas aves de rapina, 13 NVT’s foram alterados, são eles:

  • Coragyps atratus – “urubu-de-cabeça-preta” alterado para “urubu”
  • Leptodon cayanensis – “gavião-de-cabeça-cinza” para “gavião-gato”
  • Leptodon forbesi – “gavião-de-pescoço-branco” para “gavião-gato-do-nordeste”
  • Accipiter superciliosus – “gavião-miudinho” para “tauató-passarinho”
  • Accipiter striatus – “gavião-miúdo” para “tauató-miúdo”
  • Ictinia mississippiensis – “saúveiro-do-norte” para “sovi-do-norte”
  • Buteogallus aequinoctialis – “caranguejeiro” para “gavião-caranguejeiro”
  • Geranoaetus melanoleucus – “águia-chilena” para “águia-serrana”
  • Pseudastur polionotus – “gavião-pombo-grande” para “gavião-pombo”
  • Buteo albonotatus – “gavião-de-rabo-barrado” para “gavião-urubu”
  • Morphnus guianensis – “uiraçu-falso” para “uiraçu”
  • Tyto furcata – “coruja-da-igreja” para “suindara”
  • Ibycter americanus – “gralhão” para “canção”

Não concordei com algumas alterações, achei que algumas foram desnecessárias. Para Leptodon cayanensis, defendo o uso do NVT “gavião-de-cabeça-cinza”. É um nome mais técnico, já bem consolidado no inglês (Grey-headed Kite) e no espanhol (Milano Cabecigrís), e já usado massivamente pelo público que usa NTVs (birdes, ornitólogos, fotógrafos). Já "gavião-gato" é muito regional, pouco conhecido e inadequado para um gavião com distribuição tão ampla no país. Os mesmos motivos se aplicam em Leptodon forbesi, onde o NVT anterior era mais apropriado.

Em Coragyps atratus, generalizar o NVT para apenas “urubu” causa uma certa confusão na identificação da ave, pois deixa em dúvida a qual espécie se trata, visto que este é um termo genérico usado para denominar todas as espécies da família Cathartidae. O mesmo ocorreu com o Pseudastur polionotus que teve seu nome reduzido para “gavião-pombo”, podendo ocasionar confusões com Amadonastur lacernulatus.

Além das aves de rapina, várias alterações nos NVTs de outros grupos causaram discussão e insatisfação entre os pesquisadores (veja aqui e aqui).

Por outro lado, algumas mudanças nos NVTs dos rapinantes foram, em minha opinião, bastante positivas. Usar "águia-serrana" para Geranoaetus melanoleucus é interessante e justificável, já que não há nenhum motivo aparente para sustentar o nome "águia-chilena", como já sugerido e amplamente discutido por Benfica & Carvalho (2011) no artigo "Por que águia-chilena? publicado na edição 159 da revista Atualidades Ornitológicas.

Outra alteração que considero positiva é a retirada de “"falso" do NVT de Morphnus guianensis, termo que desmerecia essa grande e imponente águia florestal. Também concordo que “suindara” seja mais adequado para Tyto furcata, pois além de diferenciar o táxon da família Strigidae (já que ela é Tytonidae), o nome parece ser mais amplamente usado que o anterior.

Só lembrando não é obrigatória a adoção da taxonomia do CBRO entre os pesquisadores. Não é errado, por exemplo, um autor usar a taxonomia adotado pela SACC ou por uma versão antiga do CBRO, desde que haja uma justificativa para tal, o mesmo vale para os NVTs. O livro "Aves da Mata Atlântica do Sudeste" do Robert S. Ridgel, Martha Angel et al., por exemplo, seguiu sua própria taxonomia, baseada na lista antiga do CBRO e no SACC.

Respeito e sei que a equipe do CRBO trabalhou duro para entregar o melhor para nós, sempre se atualizando, porém, a lista anterior apresentava mais NVTs que impediam confusões taxonômicas que a atual, assim como nomes populares mais aceitos pela população. Dessa forma, tanto no site Aves de Rapina Brasil como em minhas publicações, pretendo seguir uma opção pessoal baseada na lista antiga e na recente, veja aqui. Acredito que, seguindo versões diferentes da atual lista, de certo modo demonstra quais questões da ultima lista podem ser discutidas e repensadas na próxima. O CBRO também está aberto ao diálogo e à consideração de sugestões.

Para aqueles que se interessam mais pelo assunto, estão convidados a participar do grupo do Facebook chamado “NEP: nomes em português: aves do Brasil”, onde se têm discutido os NVTs e nomes populares das aves do Brasil.

Aves de rapina são capazes de propagar fogo na vegetação?

Pesquisadores australianos garantem que sim!

No inicio de fevereiro, esse foi um dos assuntos mais comentados e compartilhados nas redes sociais. A pesquisa conduzida pelo geógrafo Penn State Mark e pelo advogado Bob Gosford, relata que o falcão-marrom (Falco berigora) e o milhafre-preto (Milvus migrans) têm o hábito de usar propositalmente galhos em chamas ou brasas para iniciar incêndios em outros locais, dessa forma acuando possíveis presas para fora da vegetação. "Há evidências convincentes de que essas duas espécies atuam como propagadoras de fogo dentro das savanas australianas e talvez em biomas semelhantes em outras partes do mundo", disse Bob Gosford em seu blog pessoal (LINK).

Porém, os pesquisadores não tem nenhuma evidência documentada deste comportamento, contam apenas com relatos de guardas florestais e indígenas locais. Essa ausência de evidências documentadas causaram certa desconfiança entre aqueles que acompanham o estudo, inclusive a mim.

Acho que as aves de rapina são suficientemente inteligentes para desenvolver tal comportamento. Porém, devemos ter cuidado com esse tipo de estudo, informações etnobiológicas por si só não são confiáveis, para ter confiabilidade é necessário um suporte documental.

Enquanto não houver observações de campo, preferencialmente documentadas, essa história continuará sendo apenas um mito, ao menos para mim.

Para mais detalhes acesse:

Duas novas espécies de rapinantes para a lista de aves do Brasil

Milvus migrans no lixão de Guwahati, India.
Foto: Fábio Olmos

Na ultima lista do CBRO, lançada em dezembro de 2015, foram adicionadas duas espécies de rapinantes na lista brasileira, o milhafre-preto (Milvus migrans) e o esmerilhão-europeu (Falco aesalon).

A inclusão de Milvus migrans era esperada, já que Nunes et al. (2015) realizaram um registro documentário da espécie no Arquipélago de São Pedro e São Paulo/PE, localizado a cerca de 1.100 km da costa nordestina. Lá, os autores fotografaram um indivíduo adulto, que permaneceu na ilha por 32 dias, desaparecendo no final da estação chuvosa. Segundo eles, o indivíduo aparentava estar saudável e foi observado predando filhotes de aves marinhas. Provavelmente a ave saiu de sua rota migratória devido aos fortes ventos sudoeste responsáveis pelo deslocamento de várias outras aves do Velho Mundo para os arquipélagos do Atlântico equatorial oeste.

Já o esmerilhão-europeu (Falco aesalon), típico do Velho Mundo, é um split (divisão da espécie). Trata-se de uma espécie comumente classificada como subespécie do esmerilhão (Falco columbrarius). Porém, o CBRO (2015), baseado no artigo de Fuchs et al. (2015), considerou F. c. aesalon como espécie plena. Ambos os táxons contam com registro no Brasil, F. aesalon conta com um registro antigo, de uma fêmea capturada a bordo de um navio na costa da Bahia em 1963 (Baars-Klinkenberg & Wattel 1964); enquanto que F. columbarius é um migrante regular na região amazônica, oriundo da América do Norte.

Por enquanto, outros autores e comitês, como o SACC, não adotaram a elevação de F. c. aesalon para espécie plena.

Falcões prendem presas em rochas para comê-las mais tarde

Foto: Abdeljebbar Qninba (site New cientist)

Pesquisadores marroquinos relataram um comportamento intrigante vindo de falcões (falcão-da-rainha - Falco eleonorae) na ilha de Mogador. Os falcões pareciam estar prendendo pequenos pássaros entre as fendas das rochas, aparentemente como estratégia para mantê-las vivas e frescas para uma refeição futura.

Conforme relatado na revista New Scientist, o ornitólogo Abdeljebbar Qninba, da Universidade de Rabat, Marrocos, notou que os pássaros enroscados estavam com as penas das asas e da cauda removidas. O pesquisador reporta que esse “é um exemplo evidente de criação de animais por não humanos” e que os falcões deliberadamente armazenavam as aves como um meio de mantê-las vivas. Segundo ele, ainda é possível que esses falcões estejam dando uma oportunidade de caçar suas próprias presas aos filhotes e que esses pequenos pássaros fiquem em “cativeiro” por cerca de um dia ou dois.

No entanto, outros pesquisadores discordam. Para alguns deles, não existem provas suficientes de que esses pássaros estão sendo mantidos reféns pelos falcões. Para Rob Simmons, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, essas aves de rapina não possuem capacidade cognitiva suficiente para armazenar esses pássaros dessa forma. “Eu acho que os pássaros possam estar apenas escapando e procurando refúgio”, afirmou.

Também concordo que não exista dados suficientes para fazer qualquer afirmação. Por outro lado discordo do comentário de Rob Simmons, acredito que os rapinantes tenham sim competência cognitiva suficiente para tal comportamento. Outras espécies de aves, como o picanço (da família Laniidae) por exemplo, tem um comportamento parecido. A ave costuma empalar suas presas vivas em espinhos ou arame farpado para comê-las mais tarde.

Acompanhe pelo celular a migração de alguns rapinantes em tempo real


Você conhece o aplicativo Animal Tracker? Com ele você pode seguir os movimentos de várias espécies de animais de todo o mundo, monitorados quase que tempo real! Nele é possível, por exemplo, acompanhar os movimentos migratórios da águia-pescadora (Pandion haliaetus), gavião-de-asa-larga (Buteo platypterus), urubu-de-caberça-vermelha (Cathartes aura), dentre outros.

Os dados são recolhidos por pequenos chips de GPS carregados pelos animais e são armazenadas no Movebank, uma infra-estrutura on-line gratuita usada por centenas de pesquisadores.

O aplicativo está disponível para Android e iOS.

Vídeo da águia capturando bebê é falso!


O vídeo é falso! A reportagem sobre o vídeo circula na internet desde 2012, e é frequente o número de pessoas que entram em contato através de mensagens e e-mails perguntando sobre a veracidade da informação. Segundo reportagem do G1, o vídeo não passa de uma montagem muito bem feita por estudantes canadenses, que, infelizmente acabaram divulgando uma péssima e errada imagem das águias e outras aves de rapina.

É importante esclarecer que águias não capturam bebês, muito pelo contrário, são os humanos que capturam, perseguem e matam filhotes dessas incríveis e injustiçadas aves.



Outros mitos envolvendo aves de rapina podem ser encontrados no link

http://www.avesderapinabrasil.com/mitos.htm

Em produção o guia 'Aves de rapina do Brasil'


O guia 'Aves de Rapina Brasil' será o primeiro a tratar exclusivamente da identificação de todas as espécies de rapinantes do Brasil. A obra possuirá também informações atualizadas sobre a distribuição geográfica das espécies, subespécies, biologia, comportamento e muito mais. A obra contará com ilustrações digitais hiper-realistas do artista Frederick Pallinger (autor do livro Tucanos e Araçaris Neotropicais) e textos do ornitólogo Willian Menq. O lançamento do guia está previsto para meados de 2017.

Apoie este projeto, adquira o livro "Tucanos e Araçaris Neotropicais" de Frederick Pallinger & Mariana Aprile, primeiro da coleção Aves do Brasil. Informações através do e-mail: pallingerguide@yahoo.com.br