20 de maio de 2017

Qual a função dos "olhos falsos" dos caburés?

Face occipital da caburé (Glaucidium brasilianum).
* por Willian Menq. 
As corujinhas do gênero Glaucidium são conhecidas por apresentar dois ocelos desenhados na parte de trás da cabeça, parecendo “olhos falsos”. Esses olhos falsos da nuca, que simulam um rosto, são chamados de face occipital. Das 32 espécies existentes do gênero Glaucidium, 24 possuem a face occipital, incluindo as quatro espécies de caburés existentes no Brasil (G. brasilianum, G. hardyi, G. minutissimum e G. mooreorum). Além dos caburés, outros rapinantes de pequeno porte possuem face occipital. Dentre essas espécies, podemos citar o quiriquiri (Falco sparverius) e várias outras aves que não ocorrem no Brasil (ex. Falco fasciinucha, Falco subbuteo, Surnia ulula, Athene noctua, Aegolius funereus, etc.).

Existem várias hipóteses que tentam explicar a função da face occipital dos caburés. Alguns especialistas acreditam que os falsos olhos servem para proteger as aves contra o ataque surpresa de predadores (Cott 1940, Balgooyen 1975, Steyn 1979). Outros pesquisadores, incluindo a mim, defendem que a face occipital serve para confundir pequenas aves durante o ‘comportamento de tumulto (mobbing behaviour)’, muitas vezes direcionando-as para a face verdadeira, aumentando as oportunidades de caça da coruja (Deppe et al. 2003, Negro et al. 2007).

Deppe et al. (2003) realizaram um estudo bastante interessante sobre o tema. Os autores usaram modelos de madeira da caburé-pigmeu (Glaucidium gnoma), com e sem face occipital, para ver se os passeriformes eram influenciados, ou não, pelos falsos olhos durante o comportamento de tumulto. O estudo apontou que os modelos com a presença da face occipital redirecionavam os ataques dos pequenos pássaros para a frente do modelo (onde estaria a face verdadeira). Negro et al. (2007) realizaram uma extensa revisão sobre as possíveis explicações da face occipital dos caburés, os autores descartaram a hipótese de proteção contra ataque de predadores, e concluíram que a face occipital está intimamente ligada ao comportamento de tumulto de suas presas, sendo uma ferramenta importante para enganar e predar as aves durante os eventos de tumulto.

A relação entre a face occipital e o comportamento de tumulto, faz bastante sentido. Na natureza, é evidente que os passeriformes quando detectam um rapinante, sempre atacam com investidas e rasantes na nuca do predador, uma vez que é a região mais "segura" para essas aves (menos risco de predação). E com a presença dos falsos olhos esses ataques seriam redirecionados para a frente da ave, como demonstrado no experimento de Deppe et al. (2003), facilitando a predação.

Além disso, os caburés e todas os outros rapinantes que possuem face occipital são diurnos, de pequeno porte, ágeis, e assim, mais susceptíveis de serem predadores eficazes de aves. Também há várias evidências que as corujas que tem face occipital são muitas vezes atacadas no evento de tumulto pelas mesmas espécies que geralmente caçam. No Brasil, Motta-Junior (2007) observou o ataque de um caburé (Glaucidium brasilianum) contra uma tesourinha (Tyrannus savana), que o atacava durante um comportamento de tumulto, o que reforça a hipótese.

Assim sendo, a explicação mais plausível é que os falsos olhos dos caburés evoluíram para confundir pequenas aves durante o comportamento de tumulto, aumentando as oportunidades de caça da coruja. Talvez a mesma explicação sirva para as outras espécies de rapinantes com face occipital.

Sequência de um ataque da caburé (G. brasilianum) contra uma tesourinha (T. savanna). A coruja capturou a ave pelo pescoço durante um evento de comportamento de tumulto. Fotos de: José Carlos Motta-Junior.





Literatura relacionada:

Balgooyen TG. 1975. Another possible function of the American kestrel’s deflection face. Jack-Pine Warbler 53: 115 116.

Cott HB. 1940. Adaptive coloration in animals. London: Oxford University Press

Deppe C, Holt D, Tewksbury J, Broberg L, Petersen J, Wood K. 2003. Effect of northern pygmy-owl (Glaucidium gnoma) eyespots on avian mobbing. Auk 120: 765–771.

Motta-Junior, J. C. 2007. Predação de Tyrannus savana, que exibia comportamento de tumulto, por Glaucidium brasilianum, no sudeste do Brasil. Biota Neotrop. vol. 7, no. 2.

Negro, J. J., Bortolottti, G. R. & Sarasola, J. H. (2007) Deceptive plumage signals in birds: manipulation of predators or prey? Biological Journal of the Linnean Society, 90, 467–477.

Steyn P. 1979. Observations on pearl-spotted and barred owls. Bokmakierie 31: 50–60.

25 de abril de 2017

Observando uma águia-real (Aquila chrysaetos) na natureza

*por Willian Menq

A história que contarei a seguir é o resumo da realização de um sonho de infância, o de observar uma águia-real na natureza.

Para quem não conhece, a águia-real (Aquila chrysaetos) é uma das espécies mais populares e “cobiçadas” entre os apaixonados por aves de rapina. É uma ave que impõe respeito e admiração, frequentemente representada em brasões de reinos antigos, bandeira de países modernos e em documentários de vida selvagem, sendo considerada o protótipo básico de uma águia. Ela não ocorre no Brasil, mas possui uma distribuição bastante extensa ocorrendo em várias regiões montanhosas do hemisfério norte.

Semana passada eu e minha companheira Jessica Nascimento estávamos na Espanha, e um dos grandes objetivos da viagem era o de observar uma águia-real (Aquila chrysaetos) selvagem. A espécie pode ser encontrada em várias regiões do país, especialmente nas áreas montanhosas acima de 500 m do nível do mar. Apesar de imponente é também muito arisca, sendo a maioria dos encontros com indivíduos voando distantes.

No dia 11/04, por volta das 6:00 h da manhã, eu e a Jessica fomos até o município de Aielo de Malfiret, ao sul de Valencia/Espanha, para se encontrar com um amigo espanhol, Francisco Sancho “Paco”, que estava disposto a nos ajudar a ver a águia-real. Paco nos levou até o Parque Natural da Serra da Mariola, unidade de conservação de 17 mil ha onde há ocorrência de diversas espécies de rapinantes e outros animais da fauna ibérica. No parque existem alguns hides (esconderijos para observação de aves) e outras instalações para birdwatching da Fundação Victoria Laporta Carbonell, entidade sem fins lucrativos que atua dentro da UC.

Chegamos no parque por volta das 7:40 h, e com o apoio de um amigo de Paco, fomos até um hide no alto de uma montanha para tentar observar a águia. O local era bem propício para a observação de rapinantes, especialmente da águia-real e do abutre-fouveiro (Gyps fulvus). Embora o avistamento dessas espécies não fosse “garantido”, as chances que tínhamos eram boas. Segundo o pessoal da fundação, um casal de águia-real e um grupo razoável de abutres habitavam aquela região. Para atrair a águia e/ou abutres, colocamos um pernil de cabra a poucos metros à frente do esconderijo. Dessa forma, se alguma dessas aves voar por ali e avistar o pernil, provavelmente vão descer e se alimentar da carcaça. Os abutres são carniceiros, a águia-real por sua vez, eventualmente consome carcaças.

Eu e a Jessica nos posicionamos dentro do hide e ficamos aguardando silenciosamente os rapinantes. Como só havia espaço para duas pessoas, Paco e seu amigo desceram para a sede da fundação.

Permanecemos quase quatro horas na espreita até que por volta das 11:30 os primeiros abutres (Gyps fulvus) apareceram. Foi incrível! Vários abutres começaram a pousar a frente do esconderijo e em poucos segundos a carcaça estava completamente cercada pelos abutres famintos. Pelo menos 30 abutres apareceram no local, pareciam hienas vorazes dilacerando uma carcaça de zebra, em menos de 2 minutos a carcaça foi completamente dizimada.

Abutres-fouveiro (Gyps fulvus)


O tamanho dessas aves é impressionante, a espécie chega a medir até 1 metro de comprimento, 2.7 de envergadura e peso de até 12 kg (maior e mais pesado que a nossa harpia Harpia harpyja). A maioria dos abutres observados possuíam marcações nas asas que servem para os pesquisadores monitorar a dinâmica populacional da espécie.

Durante o alvoroço dos abutres avistamos a silhueta de uma águia circulando a pouca altura o bando, foi quando me dei conta que se tratava da tão sonhada águia-real.

Foi emocionante!! Também foi difícil conter a euforia e a emoção. Após gritar (silenciosamente) e comemorar o aparecimento da águia, rapidamente peguei a câmera e comecei a fotografá-la circulando em torno dos abutres. Após os voos rasantes, a águia-real pousou em um galho seco a poucos metros de nós.

Sensações indescritíveis percorreram meu corpo e minha mente, depois de sonhar tantos anos com este momento, finalmente eu estava diante de uma águia-real selvagem. Desde que me conheço por gente, assistia os documentários de vida selvagem da BBC, National Geographic e alguns do Félix Rodríguez De la Fuente e me encantava com as cenas desta bela e simbólica águia, sonhando em vê-la um dia na natureza.

O indivíduo que avistamos era um macho adulto. Muito provavelmente foi atraído no local pela movimentação dos abutres, circulou e pousou próximo do bando. Mas não se atreveu a disputar um pedaço de carne em meio a tantos abutres. A águia ficou pousada no galho seco por alguns instantes e em seguida alçou voo, subindo em uma térmica, desaparecendo de nossa visão.

Este sonho só foi possível graças ao apoio do amigo Paco, do amigo Pablo Camacho (que me apresentou o Paco e viabilizou a amizade), e a Fundación Victoria Laporta Carbonell pela excelente estrutura e projetos em prol da conservação da natureza.

A seguir, sequência de imagens obtidas neste inesquecível dia.

Águia-real (Aquila chrysaetos) em voo.


Águia-real (Aquila chrysaetos).

Pega-rabuda (Pica pica).
Águia-real (Aquila chrysaetos) em voo alto.

Abutre-fouveiro (Gyps fulvus).
Vídeo dos abutres-fouveiros (Gyps fulvus) se banqueteando à frente do hide.

25 de março de 2017

Melhores horários para a observação de aves de rapina em voo

Qual o melhor horário para encontrar rapinantes florestais planando?

*por Willian Menq. 

Encontrar um gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) pousado na mata é sem dúvidas, muito difícil. Por outro lado, se o observador conhecer “os horários dos gaviões”, registrar essa mesma espécie em voo será bem mais fácil.

Dessa forma, a maneira mais fácil e eficiente de registrar rapinantes florestais é ir a campo nos horários de maior atividade de voo dessas aves. De maneira geral, o melhor horário para observar aves de rapina em voo é no período entre o final da manhã e início da tarde, período em que as correntes de ar ascendentes estão mais favoráveis e essas aves aproveitam para planar e/ou se deslocar pelo seu território. Esse período é o que chamamos de “horário das térmicas” ou “horário dos gaviões”.

Nesses horários, uma ampla variedade de espécies podem ser registradas em voos circulares, desde águias-florestais raras como o gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) até rapinantes pequenos e discretos como o gavião-bombachinha (Harpagus diodon). Outras espécies, como o gavião-urubu (Buteo albonotatus) e o gavião-tesoura (Elanoides forficatus), praticamente só são encontrados em voo.

Vale ressaltar que o horário das térmicas varia de acordo com a região. Em boa parte das florestas do sul e sudeste do Brasil, o pico de atividade dos rapinantes é entre 9:00 e 12:00 h. Em regiões mais quentes, como no centro-oeste do Brasil, os rapinantes têm atividades aéreas um pouco mais cedo. Enquanto que nas regiões mais frias, como nas serras catarinenses, os gaviões podem estar ativos somente a partir das 10:00 h se estendendo até as 15:00 h. Após esses horários a chance de topar com um indivíduo em voo diminui drasticamente.

Durante um estudo que realizei em uma floresta no noroeste do Paraná, a Reserva Biológica das Perobas, dos 184 avistamentos com aves de rapina diurnas feitos ao longo de um ano, pelo menos 55% foram realizados entre 9:00 e 12:00 h, com o maior pico de observações entre 10:00 e 11:00 h da manhã.

Horários com maior número de registros de rapinantes diurnos (Accipitridae, Falconidae e Cathartidae) na Reserva Biológica das Perobas, Paraná. Adaptado de Menq & Delariva 2015.
Para registrar essas aves é importante estar com um bom binóculo, luneta ou uma câmera com lente de longo alcance. Particularmente, nas aves que estão muito longe ou que me causa dúvidas na identificação, prefiro fotografar exaustivamente para identificar posteriormente. Câmeras cropadas com lentes de 400 mm em diante, são suficientes para um bom registro. Câmeras compactas ultrazoom como a Canon SX50 HS ou a Nikon P610 por exemplo, também se saem muito bem nessas atividades.

Outra questão importante é estar em um local adequado para observação. Não adiantará nada estar no horário ideal para observação de rapinantes se você estiver em uma trilha no meio da mata, onde o campo de visão é muito limitado. O ideal é permanecer em um local com um bom campo de visão, como na borda de uma floresta, no alto de uma torre de observação, em uma trilha suspensa, interior de vales, encostas, e etc.

Também é necessário muita atenção a qualquer “pontinho” voando longe ou alto no céu. Espécies como o gavião-pato (S. melanoleucus), costumam voar muito alto, podendo facilmente passar despercebido pelos observadores ou ser confundido com outras espécies comuns. Outros, como o tauató-pintado (Accipiter poliogaster), podem cruzar de forma muita rápida pelo observador, sendo necessário muita agilidade para fotografar ou experiência para uma rápida identificação.

Exemplo de um local adequado para observação de rapinantes florestais planadores. Área elevada com um bom campo de visão do dossel da floresta.

Outras dicas para observação de rapinantes diurnos podem ser consultadas neste link.

15 de janeiro de 2017

Uso do flash e lanternas potentes prejudicam a visão das corujas?

* por Willian Menq
Fotografar corujas é, sem dúvidas, uma atividade fascinante e desafiadora! A maioria das espécies são noturnas e difíceis de serem encontradas, sendo necessário o uso de lanternas e flash para uma boa foto. Mas será que o uso de lanternas e flash estressa/prejudica a visão das corujas?

Muitos observadores de aves acreditam que o uso moderado desses aparatos não causa nenhum dano às aves, já outros não tem tanta certeza. Em minhas saídas noturnas, percebo que em determinadas situações as corujas parecem “desconfortáveis” sob a iluminação direta de uma lanterna potente, por vezes virando o rosto ou voando. Já em outras situações, quando iluminadas por lanternas mais fracas ou no modo “econômico”, elas parecem mais tranquilas e indiferentes.

Infelizmente, há poucas informações científicas sobre o assunto. Sabemos que os olhos das corujas respondem à luz da mesma maneira que os olhos humanos. Quando o olho é exposto à uma luz intensa e rápida, como o disparo de um flash no escuro, as células fotorreceptoras ficam saturadas, causando uma rápida “cegueira funcional” na ave, uma imagem final brilhante que afeta a capacidade de ver e reconhecer objetos. Geralmente a recuperação é rápida, demorando poucos segundos para a visão se reajustar.

Quando a coruja é exposta a uma iluminação contínua, como a luz de uma lanterna, até pode ocorrer a mesma cegueira temporária (se a lanterna for potente), mas a ave consegue ajustar rapidamente a aberta da pupila (muito mais rápido que o olho humano), permitindo a quantidade adequada de luz sobre as retinas (1).

Ellis Loew (2), fisiologista da Universidade de Cornell, EUA, não acredita que um único flash, ou talvez alguns pares de flash, causa algum dano a visão das corujas. Mas se houvesse um grupo maior de fotógrafos, seis ou mais por exemplo, todos disparando flash de uma vez ou dentro de um curto intervalo de tempo na mesma coruja, aí sim poderia trazer prejuízos fisiológicos temporários a visão da ave. Em situações assim, as células fotorreceptoras podem sofrer danos temporários a ponto de não se adaptar ao mesmo nível de sensibilidade tão rapidamente, diminuindo a acuidade visual da ave por muito mais tempo. Em situações extremas, pode demorar 30 segundos ou mais até a visão se normalizar.

Segundo Loew, se nesse período a coruja precisar voar (ou receber várias sessões de flash em voo), pode ser particularmente perigoso. A ave pode colidir com um obstáculo enquanto está temporariamente cega, e/ou tornar-se vulnerável a outros predadores. O mesmo pode ocorrer com exposições excessivas de lanternas potentes.

O especialista em fisiologia animal Jack Pettigrew (3), da Universidade de Queensland, Austrália, acredita que não há nenhuma evidência empírica para nos preocuparmos. Flash e lanternas potentes podem sim deixar as corujas temporariamente cegas, mas depois de um tempo tudo volta ao normal. Outros especialistas, como Denver Holt, diretor do Montana-based Owl Research Institute, argumentam que o valor educacional dessas fotografias supera o risco potencial, especialmente se as fotos são usadas para conscientização das pessoas e conservação, ou se o fotógrafo trabalha em conjunto com pesquisadores que estudam corujas.

Coruja-de-crista (Lophostrix cristata). Foto: Willian Menq
Fato é, que, sem iluminar as corujas com lanternas ou usar flash é quase impossível fazer uma foto. Eu mesmo não saio para uma corujada sem meu flash externo e meu kit de lanternas. Acredito que seja tudo uma questão de bom senso e equilíbrio, igual ocorre com o uso do playback (4). Se o observador/fotógrafo usar de forma responsável e moderada o flash e as lanternas sobre as corujas, e tomar alguns cuidados, os potenciais riscos serão bem menores.

Cuidados como evitar expor o mesmo indivíduo por muitos minutos sob lanternas potentes e flash, evitar feixes altamente focalizados sobre a ave, ou evitar situações que forcem a ave a voar após ou durante uma sessão de fotos, são atitudes louváveis. Regular a câmera antes de fotografar uma coruja, testando-a com fotos de galhos na copa das árvores, também ajuda a diminuir o número de flash’s na ave, além de evitar perder a oportunidade fotográfica.

Além disso, muitas lanternas de led possuem vários modos “econômicos”, onde a incidência de luz é mais fraca, mas o suficiente para focar com a câmera. Alternativamente, pode-se iluminar a coruja com as partes periféricas (mais fracas) do feixe de luz, como demonstrado no vídeo de Thiago Tôledo (link). Assim, além de incomodá-la menos, a probabilidade da ave olhar para o observador durante as fotos acaba sendo maior.


Bibliografia relacionada:

1. Lewis, D. (2015). Owl Eyes & Vision – The Owl Pages.
http://www.owlpages.com/owls/articles.php?a=5
2. Is Flash Photography Safe for Owls? - Audubon: Ethics.
http://www.audubon.org/news/is-flash-photography-safe-owls
3. Atkins, B. (1998) Effects of flash photography on owls - Photo.net.
http://photo.net/learn/nature/owlflash
4. Como, quando e onde observar corujas? Aves de rapina BR
http://www.avesderapinabrasil.com/owlwatching.htm

13 de novembro de 2016

Falcões-de-coleira “seguindo” emas e seriemas para caçar

*por Willian Menq.

Algumas espécies de rapinantes possuem o curioso hábito de seguir outros animais para aumentar suas oportunidades de caça. Existem vários artigos relatando a associação de aves de rapina com formigas-de-correição, quatis, saguis, macacos, capivaras, babuínos, lobos e alguns outros mamíferos. Normalmente os rapinantes usam eles como “batedores”, capturando as presas espantadas ou atraídas pelas atividades desses animais.

Em agosto do ano passado, eu e minha companheira Jessica M. Nascimento, tivemos a oportunidade de observar um comportamento bastante interessante, falcões-de-coleira (Falco femoralis) seguindo seriemas (Cariama cristata) e emas (Rhea americana). Na ocasião, observamos dois falcões seguindo um grupo de emas em uma área de pastagem no interior do Mato Grosso do Sul. Conforme as emas caminhavam, os falcões a acompanhavam, pousando em arbustos à frente do grupo, e investindo contra insetos em voo espantados pelo deslocamento das aves. Minutos depois do evento, observamos os falcões realizando o mesmo comportamento com algumas seriemas. Tanto as emas quanto as seriemas pareciam não se incomodar com a presença dos falcões.                        

Não encontramos nenhuma informação na literatura que relatasse a associação do falcão-de-coleira com aves. Um dos poucos relatos envolvendo o falcão-de-coleira e outros animais é de Silveira et al. (1997), que registraram a espécie seguindo lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) no Parque Nacional das Emas. Os autores observaram o falcão atacando codornas (Nothura sp) e outras aves espantadas pelas atividades de caça do lobo.

Detalhes do nosso relato estão publicados na edição 192 (julho/agosto) da revista Atualidades Ornitológicas (ww.ao.com.br).

NASCIMENTO, J. M. & MENQ, W. (2016) Associação de forrageio entre o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e aves terrícolas em áreas de pastagem no centro-oeste do Brasil. AO 192. p. 24.



Falcões (Falco femoralis) pousados próximos um do outro, durante associação com as outras aves. Foto: Jessica M. do Nascimento.

Falcão-de-coleira (Falco femoralis) aguardando oportunidade de caça, pousado próximo a um grupo de emas (Rhea americana). Foto: Willian Menq.

Para saber mais:

Aves e formigas-de-correição
Willis, E. O.; Oniki, Y. Aves seguidoras de correições de formigas nas Américas e África, 1980. Revista ACOALFAplp: Acolhendo a Alfabetização nos Países de Língua portuguesa, São Paulo, v.2 n. 4, 2008. Disponível aqui.

Gaviões (Leptodon cayanensis, Ictinia plumbea) com sagüis  (Callithrix  flaviceps)
Ferrari, S.F. (1990) A Foraging Association between Two Kite Species (Ictinea plumbea and Leptodon cayanensis) and Buffy-Headed Marmosets (Callithrix flaviceps) in Southeastern Brazil.The Condor, 92(3):781-783. Disponível aqui.

Associação de forrageio de aves de rapina com mamíferos
Menq, W. (2013) Associação de forrageio entre rapinantes e mamíferos - Aves de Rapina Brasil. Disponível aqui

Gavião-ripina (Harpagus bidentatus) e macacosFontaine, R. (1980) Observations on the foraging association of Double-Toothed Kites and White-Faced Capuchin Monkeys. The Auk, 97(1):94-98. Disponível aqui

Falcão-de-coleira e lobo-guaráSilveira, L. , Jácomo, A. T. A., Rodrigues, F. H. G. , Crawshaw-Junior, P. G. (1997) Hunting Association between the Aplomado Falcon (Falco femoralis) and the Maned Wolf (Chrysocyon brachyurus) in Emas National Park, Central Brazil. The Condor. 99 : 201 – 202. Disponível aqui

Falcão-das-rochas (Falco rupicolus) e babuínos
King, A. J., & G. Cowlishaw. (2008). Foraging opportunities drive interspecific associations between Rock Kestrels and Desert Baboons. Journal of Zoology 277:111-118. Disponível aqui

1 de novembro de 2016

Gavião-bombachinha (Harpagus diodon) retorna todos os anos aos mesmos locais?


*por Willian Menq.

Sabemos
 hoje, graças ao trabalho de Lees & Martin (2015), que o gavião-bombachinha (Harpagus diodon) é um migrante regular na América do Sul. Entre os meses de outubro-fevereiro é encontrado nas florestas do sul, sudeste e parte do centro-oeste do Brasil, onde também se reproduz, migrando para a região amazônica durante o inverno (maio-agosto). Porém, outros detalhes de seus movimentos migratórios, como rotas migratórias, fidelidade aos locais de invernagem/nidificação, permanecem desconhecidos.

Sabemos que rapinantes migratórios do hemisfério norte (amplamente estudados), como o falcão-peregrino (Falco peregrinus), a águia-pescadora (Pandion haliaetus) e o gavião-tesoura (Elanoides forficatus), usam as mesmas rotas migratórias e são fiéis aos locais de nidificação e de invernagem. Dessa forma, é possível que o H. diodon também seja fiel aos locais de reprodução e invernagem, e use basicamente as mesmas rotas migratórias em suas viagens entre a Mata Atlântica e Amazônia.

Semana passada, durante um monitoramento de fauna no município de Mangaratiba/RJ, registrei um H. diodon adulto pousado em uma embaúba na borda de uma mata, exatamente no mesmo local que registrei a espécie em anos anteriores, sugerindo que seja o território usual daquele indivíduo durante sua estadia na Mata Atlântica.

Embora eu não tenha nenhuma evidência que a ave seja o mesmo indivíduo que observei nos anos anteriores, pode ser um indício que H. diodon é fiel aos locais de reprodução/invernagem, da mesma forma que ocorre no F. peregrinus e em outros migrantes. No entanto, somente com trabalhos de marcação e monitoramento via rádio-satélite desvendaremos esse mistério.

Harpagus diodon registrado em dezembro/2015, com um anfíbio nas garras.

Harpagus diodon registrado em novembro/2016 no mesmo local do ano anterior.

Área de ocorrência do Harpagus diodon.
Período de invernagem (maio-agosto), reprodutivo (outubro-março;).

23 de outubro de 2016

IV Conferência Neotropical de Aves de Rapina

*por Willian Menq.

Semanas atrás, aconteceu entre os dias 10 e 13 de outubro a IV Conferência Neotropical de Aves de Rapina, na cidade de La Fortuna/Costa Rica, organizada pela The Peregrine Fund, Neotropical Raptor Network e pela Fundação Rapaces de Costa Rica.

Trata-se de um importante evento sobre aves de rapina que reuniu pesquisadores de todas as regiões das Américas, onde foram apresentadas suas pesquisas mais recentes, soluções e desafios. O evento também funcionou como um ponto de encontro para troca de ideias, discussões e debates sobre a pesquisa e conservação das aves de rapina neotropicais. Também ocorreu junto a conferência o II Simpósio de corujas neotropicais, para discussão sobre as pesquisas com esse grupo no continente.

Participei do evento acompanhado dos amigos "rapinólogos" Pedro Scherer-Neto e Jonas Kilpp. A conferência iniciou-se com a palestra de Rob Bierregard sobre a migração das águias-pescadoras (Pandion haliaetus) no continente Americano. Bierregard apresentou os diversos desafios e as estratégias que os indivíduos monitorados por rádio-satélite enfrentam a cada jornada para a América do Sul e Central, demonstrando o quão perigosa é a primeira migração de uma jovem águia. 

Esquerda p/direita. Pedro Scherer-Neto, Jonas Kilpp, Diego Quesada, Tomás Rivas, eu (W. Menq), Mario Alberto e Pablo Camacho (a frente).

As sessões científicas contavam com temas variados e muitas bem interessantes, como a apresentação do Alejandro Alarcón sobre a dieta e a vocalização da raríssima corujinha-de-bigode (Xenoglaux loweryi); da Paula Orozco-Valor sobre a fidelidade de ninhos, sucesso reprodutivo e dieta do primeiro ninho de Spizaetus isidori na Argentina; do Tomás Rivas Fuenzalida sobre as aves de rapina do Chile; da Adrián Naveda-Rodríguez sobre o estado de conservação do condor-dos-andes (Vultur gryphus) no Equador; da Karla A. Ubillús sobre o uso de drones para monitoramento de ninhos de harpias (Harpia harpyja) no Panamá; e muitas outras. 

A cidade anfitriã do evento, La Fortuna, é um pequeno paraíso bastante visitado na Costa Rica. Famosa pelo imponente Vulcão Arenal e pela ótima infraestrutura, a cidade é cercada por parques nacionais e áreas verdes preservadas ideais para a observação de aves, especialmente de aves de rapina. Gavião-barrado (Leucopternis princeps), gavião-branco (Pseudastur albicollis), gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), murucututu (Pulsatrix perspicillata), coruja-de-crista (Lophostrix cristata) e coruja-preto-e-branca (Strix nigrolineata), são apenas algumas das aves de rapina avistadas com certa regularidade na região. Além disso, a data em que ocorreu a conferência coincidiu com o pico da migração de outono dos rapinantes do Hemisfério Norte, em que a Costa Rica detém o título de possuir o segundo caminho migratório mais abundante de rapinantes do mundo.

Buteo plagiatus (Gray hawk), adulto. Foto: Willian Menq.

Participamos de alguns passeios guiados nos arredores do Vulcão Arenal, com o objetivo de observar aves de rapina e outros animais da região. No dia 10 de outubro, na companhia do excelente guia local Diego Quesada, fomos observar aves no maravilhoso Sky Adventures Arenal, parque de aventura que possuí uma frondosa floresta interligada ao Parque Nacional do Vulcão Arenal. O parque possui um sistema de pontes suspensas e plataformas elevadas perfeitas para observação de rapinantes florestais planadores. Durante visita ao parque observamos dezenas de gaviões-de-asa-larga (Buteo platypterus) e sovis-do-norte (Ictinia mississippiensis) pegando térmica em migração, vimos gavião-cinzento (Buteo plagiatus), gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus), além de um jovem gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), que vocalizava constantemente nas redondezas de um ninho na encosta da mata. De acordo os pesquisadores locais, o S. ornatus é a águia-florestal mais abundante de La Fortuna, só nos dias do evento foram observados 7 indivíduos em lugares diferentes da região, realmente incrível!

Na noite do dia seguinte, realizamos uma corujada em uma conhecida estrada que corta um trecho de floresta nos arredores do Parque do Vulcão Arenal. A expectativa era de encontrar a coruja-preto-e-branca (Strix nigrolineata), uma verdadeira preciosidade da América Central. Então, andando cautelosamente de veículo com lanternas em punho, fomos iluminando as árvores da borda da mata. Através deste método, tivemos a felicidade de observar a coruja-preto-e-branca (Strix nigrolineata),  a murucututu (Pulsatrix perspicillata) e a coruja-de-crista (Lophostrix cristata).

A belíssima Strix nigrolineata (coruja-preto-e-branca), durante corujada nos arredores do Parque do Vulcão Arenal. Foto: Willian Menq.

Nos dias seguintes, em saídas aleatórias pelas áreas verdes da região, encontramos alguns rapinantes bem interessantes, como o caracará-do-norte (Caracara cheriway), gavião-cinzento (Buteo plagiatus) e o gavião-branco (Pseudastur albicollis). O C. cheriway, que ocorre desde os EUA até o norte do Brasil, é praticamente uma cópia do Caracara plancus, diferenciando-se basicamente pelo dorso mais escuro. O Buteo plagiatus, que ocorre do México a Costa Rica, é também muito parecido com o Buteo nitidus (que ocorre no Brasil), sendo a principal diferença o dorso mais escuro e alguns detalhes na coloração das asas, visíveis em voo. Já o Pseudastur albicollis costaricensis (subespécie que ocorre na Costa Rica), chamou nossa atenção por ser muito diferente da subespécie que ocorre no Brasil, este possui o dorso predominantemente branco enquanto que a forma amazônica apresenta o dorso uniformemente negro.

No dia 14 de outubro, após o encerramento do evento, foi a vez de conhecer o Arenal Observatory Lodge, um dos destinos favoritos dos observadores de aves que visitam a região. O lugar possuí áreas de jardins que atraem diversas espécies de beija-flores, saíras e outros passarinhos. Possuí plantações de coníferas que atraem um grande número de aves migratórias, além de trilhas dentro de uma floresta primária. Durante nossa visita observamos mais de 100 espécies de aves, o destaque foi para os mais de 300 indivíduos de gaviões-de-asa-larga (Buteo platypterus), mais de 1.000 urubus-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura) e algumas dezenas de gaviões-papa-gafanhoto (Buteo swainsoni) planando em uma térmica em migração. No retorno para a cidade encontramos um casal de murucututu (Pulsatrix perspicillata) descansando na borda da mata às margens da estrada. Interessante que a fêmea apresentava um padrão barrado no ventre pouco frequente na espécie.

Casal de murucututu (Pulsatrix perspicillata) (fêmea à direita), descansando na borda da mata às margens da estrada. Foto: W. Menq.

No último dia da nossa estadia na Costa Rica, a convite do amigo Pablo Camacho, fomos a Tárcoles na costa do pacífico procurar pelo gavião-caranguejeiro-negro (Buteogallus anthracinus). Facilmente encontramos o gavião, que é muito abundante na região costeira do país (tanto no pacífico quanto no atlântico). Também encontramos o gavião-urubu (Buteo albonotatus), cauré (Falco rufigularis) e muitos passarinhos.

Para mim o evento e a viagem ao país foi uma experiência incrível, conferência muito bem organizada. Tive oportunidade de fazer amizades com outros pesquisadores da América do Sul e Central; de constatar o andamento das pesquisas com rapinantes na região neotropical; de conhecer alguns amigos que até então só conhecia via redes sociais, como é o caso do Pablo Camacho (diretor da Fundação Rapaces de Costa Rica) e da Marta Curti (Peregrine Fund); conhecer a rica fauna e flora da Costa; desfrutar de belas paisagens e ótima gastronomia do país; e claro, de observar diversas espécies de rapinantes, incluindo algumas particularidades da América Central, como é o caso da belíssima coruja-preto-e-branca (Strix nigrolineata) e do gavião-branco-costariquenho (Pseudastur albicollis costariquensis), além de ver vários migrantes do hemisfério norte de passagem no país (B. platypterus, B. swainsoni, I. mississippiensis, P. haliaetus, C. aura).

Pura Vida!

Procurando rapinantes na ponte suspensa do Arenal Sky Adventure.

Gavião-branco da Costa Rica (Pseudastur albicollis costaricensis). Foto: W. Menq

Coruja-de-crista (Lophostrix cristata) durante corujada nos arredores do Parque do Vulcão Arenal. Foto: W. Menq

Térmica de migrantes, com milhares de Cathartes aura, centenas de Buteo platypterus e alguns Buteo swainsoni. Foto: W. Menq.

Gavião-caranguejeiro-negro (Buteogallus anthracinus). Apesar de sua aparência lembrar o gavião-preto, seus hábitos se assemelham mais ao do Buteogallus aequinoctialis. Foto: W. Menq.


4 de outubro de 2016

Falcão-tanatau (Micrastur mirandollei) é redescoberto na Mata Atlântica

*por Willian Menq.

Nesta semana a ornitologia brasileira foi presenteada com uma notícia fantástica, a redescoberta do falcão tanatau (Micrastur mirandollei) na Mata Atlântica. O incrível registro foi realizado pelos observadores de aves Wagner Coppede, Susana Coppede e Justiniano Magnago na Reserva Natural Vale, Linhares/ES, em maio deste ano, publicado a poucos dias no Wikiaves. Segundo os autores, a ave foi visualizada cruzando em voo rápido uma pequena estrada próxima da sede da reserva.

Tanatau (Micrastur mirandollei) fotografado em Linhares/ES. Foto de: Wagner Coppede.
O registro fotográfico não deixa dúvidas na identificação, o capuz cinza-escuro, a área amarela nua na face e a íris escura em tons castanho-esverdeado, é suficiente para diferenciá-lo do Harpagus diodon (que possui íris avermelhada) e do Accipiter poliogaster macho (de íris amarela ou laranja).

Trata-se de um registro importantíssimo, o falcão não era registrado a décadas na Mata Atlântica, considerado até extinto do bioma, conhecido por dois registros antigos nas matas de baixada do sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Apesar de também ocorrer na região amazônica e na América Central, pouco se sabe sobre sua biologia, é um verdadeiro “fantasma” das florestas, de comportamento bastante discreto e de difícil observação, normalmente habitando a parte mais alta da floresta.

O local que o falcão foi observado é um “hotspot” para observação de aves, muito visitado por birdwatchers e fotógrafos de aves. O registro demonstra como espécies crípticas e estritamente florestais conseguem passar despercebidas pelos observadores de aves e ornitólogos, podendo passar décadas sem serem detectadas em uma determinada área. Outro exemplo disso é o falcão-críptico (Micrastur mintoni), que estava em uma situação bem parecida com a do M. mirandollei nas florestas capixabas. A ave estava sem registros no bioma a quase 35 anos, até que foi redescoberta por Simon & Magnago (2013) no norte do Espírito Santo. Na Bahia o M. mintoni ficou sem registros por oito décadas, até que foi redescoberto por Magnago (2014) na Reserva da Veracel, em Santa Cruz Cabrália/BA.

A redescoberta do M. mirandollei demonstra também a importância que os observadores de aves e o Wikiaves têm para a ciência, registrando espécies raras e ameaçadas, contribuindo com o conhecimento e a conservação de muitas espécies brasileiras - a chamada ciência-cidadã.

A provável população de M. mirandollei da Mata Atlântica certamente está seriamente ameaçada de extinção, confinada nos poucos remanescentes florestais do Espírito Santo e Bahia, que formam verdadeiras “ilhas de biodiversidade”, refúgios de toda a fauna e flora da região.


Mapa da área de ocorrência do tanatau (Micrastur mirandollei) no Brasil.
Seta vermelha indica a região do registro.

Curiosidade - A região do registro é popularmente chamada de “Amazônia capixaba”, e não é à toa, pois na área ocorre uma série de aves tipicamente amazônicas, dentre elas o falcão-críptico (Micrastur mintoni) e o gavião-ripina (Harpagus bidentatus). De acordo com alguns autores, a ocorrência dessas espécies nesta região sugere que ambos os biomas estiveram interligados no passado.


Link do registro fotográfico publicado no Wikiaves:

Artigo sobre as aves de rapina da Mata Atlântica:

Artigo sobre a redescoberta do falcão-críptico (M. mintoni) na Mata Atlântica: