30 de março de 2016

O uso do playback nas aves de rapina

*por: Willian Menq.
Observar corujas e falcões-florestais (Micrastur spp) não é uma tarefa fácil. Os contatos visuais com essas aves são difíceis, na maioria das vezes são mais ouvidas do que vistas. Assim, não é raro ver observadores de aves ou fotógrafos usando a técnica de playback para atrair e fotografas aves.

É inegável que a técnica aumenta as chances de detecção de muitos rapinantes florestais, com ele é possível observar espécies que raramente seriam vistas ao acaso. Porém, o uso incorreto e irresponsável do playback pode espantar ao invés de atrair as aves, ou pior ainda, estressá-las.

20 de março de 2016

A harpia na Mata Atlântica

*por: Willian Menq.
A harpia (Harpia harpyja), também chamada de gavião-real, é uma das águias mais possantes e raras das Américas, muito “desejada” por estudiosos e observadores de aves. A espécie conta com poucos registros na Mata Atlântica e são escassas as áreas que ainda dispõem de presas potenciais e território para abrigar a espécie. O desmatamento excessivo e a caça contribuíram significativamente para o desaparecimento da espécie em vários trechos de Mata Atlântica do país.

16 de março de 2016

Cauré (Falco rufigularis), o devorador de beija-flores!

*por: Willian Menq.
O cauré (Falco rufigularis) é um falcão pequeno, ágil e veloz; caça desde andorinhões, periquitos, aves aquáticas pequenas, até morcegos e insetos. Caça principalmente a partir de um poleiro, de onde inicia rápidas perseguições contra suas vítimas.

Durante um trabalho de campo no leste do Mato Grosso, em junho de 2014, registrei um F. rufigularis consumindo pelo menos três beija-flores em uma mesma manhã. Na ocasião eu estava amostrando a avifauna, através de redes-de-neblina, em uma floresta às margens de um grande rio.

Determinadas características da vegetação influenciam na ocorrência de corujas

Coruja-do-mato (Strix virgata). 
*por: Willian Menq.
Os poucos estudos existentes sugerem que há uma forte relação entre a distribuição das corujas com as características estruturais da vegetação. Em áreas florestais por exemplo, a altura e a quantidade de árvores, presença de troncos caídos ou em pé, arbustos ou cipós, promovem diferentes micro habitats para forrageio e são imprescindíveis para a escolha de locais para nidificação.

Durante meu mestrado em Zoologia na Universidade Estadual de Londrina/PR, motivado com o tema, decidi testar essa hipótese em um remanescente florestal no noroeste do Paraná, verificar a influência de algumas variáveis da vegetação na ocorrência de corujas.

14 de março de 2016

Urubus também caçam

*por: Willian Menq.
Apesar dos urubus não terem habilidades para a caça (por questões morfológicas), existem vários registros de urubus predando pequenos vertebrados, como lagartos, roedores, cobras, filhotes de tartaruga e etc., capturados em voos rasantes ou em solo.

Há alguns registros impressionantes, como o de Severo-Neto et al. (2014) (sequência de fotos abaixo) que registraram no interior do Mato Grosso do Sul, um urubu-de-cabeça-amarelada (Cathartes burrovianus) atacando de forma eficaz, com bicadas na cabeça, uma jararaca (Bothrops moojeni) viva.

13 de março de 2016

Acompanhando os falcões-peregrinos de Maringá

Fêmea adulta do casal que monitoro
desde 2012 em Maringá/PR.
*por: Willian Menq.
Desde 2012, venho acompanhando a visita dos falcões-peregrinos (Falco peregrinus) na cidade de Maringá, noroeste do Paraná. Os indivíduos mais antigos são um casal que observo a cinco temporadas. Todos os anos aparecem juntos, sempre no mesmo local (uma torre de caixa d’água na periferia da cidade), compartilhando o mesmo poleiro.

São poucos os relatos de casais nas áreas de invernagem, normalmente aparecem solitários. Nesta temporada só registrei a fêmea. Como é raro casos de indivíduos que mudam de área, desconfio que o macho tenha falecido.

Por que algumas águias brasileiras são chamadas de gaviões?

*por: Willian Menq.
As espécies do gênero Spizaetus são um tipo especial de águias florestais, chamadas no inglês de “Hawk-eagles”, algo equivalente a “águias-açores”. A Harpia harpyja (gavião-real) e o Morphnus guianensis (uiraçu), também pertencem a um subgrupo especial de águias chamado “Harpy-eagles”, grupo na qual está incluida a Harpyopsis novaeguineae (harpia-da-nova-guiné) e a Pithecophaga jefferyi (águia-filipina).

11 de março de 2016

Sobre as alterações nos nomes vernáculos da ultima lista do CBRO (2015)

*por: Willian Menq.
No final de 2015, foi publicada a última lista de aves do Brasil elaborada pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (link). Dentre as novidades, está à alteração de mais de 100 nomes vernáculos técnicos (NVT’s) e a inclusão de novas espécies para o país.

De acordo com o núcleo de NVT’s do CBRO, foram listados os nomes que pareciam inadequados pelo comitê. Eles foram amplamente discutidos pelo grupo e as respectivas opções alternativas foram definidas em regime de votação.

Aves de rapina são capazes de propagar fogo na vegetação?

*por: Willian Menq.
No inicio de fevereiro, esse foi um dos assuntos mais comentados e compartilhados nas redes sociais.

A pesquisa conduzida pelo geógrafo Penn State Mark e pelo advogado Bob Gosford, relata que o falcão-marrom (Falco berigora) e o milhafre-preto (Milvus migrans) têm o hábito de usar propositalmente galhos em chamas ou brasas para iniciar incêndios em outros locais, dessa forma acuando possíveis presas para fora da vegetação. "Há evidências convincentes de que essas duas espécies atuam como propagadoras de fogo dentro das savanas australianas e talvez em biomas semelhantes em outras partes do mundo", disse Bob Gosford em seu blog pessoal (LINK).

Duas novas espécies de rapinantes para a lista de aves do Brasil

Milvus migrans no lixão de
Guwahati, India. Foto: Fábio Olmos
*por: Willian Menq.
Na ultima lista do CBRO, lançada em dezembro de 2015, foram adicionadas duas espécies de rapinantes na lista brasileira, o milhafre-preto (Milvus migrans) e o esmerilhão-europeu (Falco aesalon).

A inclusão de Milvus migrans era esperada, já que Nunes et al. (2015) realizaram um registro documentário da espécie no Arquipélago de São Pedro e São Paulo/PE, localizado a cerca de 1.100 km da costa nordestina.

Falcões prendem presas em rochas para comê-las mais tarde

Foto: Abdeljebbar Qninba
*por: Willian Menq.
Pesquisadores marroquinos relataram um comportamento intrigante vindo de falcões (falcão-da-rainha - Falco eleonorae) na ilha de Mogador. Os falcões pareciam estar prendendo pequenos pássaros entre as fendas das rochas, aparentemente como estratégia para mantê-las vivas e frescas para uma refeição futura.

Conforme relatado na revista New Scientist, o ornitólogo Abdeljebbar Qninba, da Universidade de Rabat, Marrocos, notou que os pássaros enroscados estavam com as penas das asas e da cauda removidas.

Acompanhe pelo celular a migração de alguns rapinantes em tempo real

*por: Willian Menq.
Você conhece o aplicativo Animal Tracker? Com ele você pode seguir os movimentos de várias espécies de animais de todo o mundo, monitorados quase que tempo real! Nele é possível, por exemplo, acompanhar os movimentos migratórios da águia-pescadora (Pandion haliaetus), gavião-de-asa-larga (Buteo platypterus), urubu-de-caberça-vermelha (Cathartes aura), dentre outros.

Vídeo da águia capturando bebê é falso!

*por: Willian Menq.
O vídeo é falso! A reportagem sobre o vídeo circula na internet desde 2012, e é frequente o número de pessoas que entram em contato através de mensagens e e-mails perguntando sobre a veracidade da informação. Segundo reportagem do G1, o vídeo não passa de uma montagem muito bem feita por estudantes canadenses, que, infelizmente acabaram divulgando uma péssima e errada imagem das águias e outras aves de rapina.