30 de agosto de 2017

Os rapinantes migratórios chegaram!!


Setembro é o pico de chegada dos migrantes austrais na Mata Atlântica. O gavião-bombachinha (Harpagus diodon), o sovi (Ictinia plumbea) e o gavião-tesoura (Elanoides forficatus) já podem ser registrados no sudeste, sul e parte do centro-oeste do Brasil, onde permanecem até fevereiro e março de 2018.

Essas três espécies realizam suas longas jornadas pelo continente através de voos planados, usando as correntes de ar ascendentes (térmicas) como “elevadores” para ganhar altura e se deslocar. Assim, voam de 150 a 400 km por dia, demorando de uma a duas semanas até o destino final. Normalmente realizam os deslocamentos migratórios em alturas que variam de 500 a 2.000 m, quando há térmicas favoráveis. Como gastam pouca energia com o voo planado, essas aves realizam pouquíssimas paradas diurnas para descanso e/ou alimentação.

Aves de rapina migratórias que aparecem a partir de agosto/setembro no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. 1 - sovi (Ictinia plumbea), 2 - gavião-bombachinha (Harpagus diodon), 3 - gavião-tesoura (Elanoides forficatus). Fotos: W. Menq.

O sovi (I. plumbea) e o gavião-tesoura (E. forficatus) são rapinantes sociáveis, realizam as migrações em grupos de dezenas a centenas de indivíduos, também permanecem nas áreas reprodutivas e de invernagem em grupos. Se reunindo em bandos, fica mais fácil localizar as correntes térmicas e usá-las de forma mais efetiva, além de afastar predadores das áreas reprodutivas com mais eficiência. E como se alimentam basicamente de insetos voadores, bastante abundantes nas estações quentes, esses grupos não têm problemas com escassez de alimento.

Pouco sabemos sobre os movimentos migratórios desses gaviões na América do Sul. Informações como rotas migratórias, fidelidade aos locais de invernagem/nidificação, ainda são pouco compreendidas. Sabemos que as aves de rapina migratórias do hemisfério norte, como o falcão-peregrino (Falco peregrinus), a águia-pescadora (Pandion haliaetus) e o gavião-papa-gafanhoto (Buteo swainsonii), usam as mesmas rotas migratórias e são fiéis aos locais de nidificação e invernagem. Assim, é possível que o gavião-tesoura, sovi e o gavião-bombachinha também sejam fiéis aos locais de nidificação e de invernagem, usando as mesmas rotas migratórias em suas viagens entre a Mata Atlântica e Amazônia, hipótese já levantada em postagens anteriores (link).

Figura 1. Padrão de migração do gavião-tesoura (Elanoides forficatus) no Brasil. 1) De abril a julho, os E. forficatus estão concentrados na região amazônica, onde também há populações vindas da América Central. 2) Em julho/agosto, os E. forficatus iniciam seus movimentos para a Mata Atlântica (incluindo parte do centro-oeste), e nesse período grandes bandos podem ser registrados em migração. Em setembro, os E. forficatus já atingiram seu destino final de migração, e algumas populações iniciam o período reprodutivo na Mata Atlântica. Em fevereiro/março iniciam a viagem para a Amazônia, onde bandos podem ser vistos em migração.
Bando de gavião-tesoura (Elanoirdes forficatus), com mais de 200 indivíduos, registrado em 11/03/2013 na área urbana de Maringá, provavelmente em migração rumo ao norte do Brasil. Foto: Elirani Fernandes.

Nos meses de outubro e novembro é a vez dos rapinantes migratórios do hemisfério norte aparecer no Brasil, são eles o falcão-peregrino (Falco peregrinus), águia-pescadora (Pandion haliaetus), gavião-de-asa-larga (Buteo platypterus), gavião-papa-gafanhoto (Buteo swainsonii), sauveiro-do-norte (Ictia mississippiensis) e o esmerilhão (Falco columbarius).

E você, já registrou a chegada dessas espécies em sua região? Caso sim, comente e publique seus registros no Wikiaves, Táxeus ou eBird, seus dados podem auxiliar programas de monitoramento e conservação de aves, saiba mais.

Quer saber mais sobre a migração das aves de rapina do Brasil?
Leia o artigo: As aves de rapina migratórias.

22 de agosto de 2017

Cor da cera e o humor dos caracarás

Os caracarás são capazes de alterar a cor das partes nuas da face conforme seu estado de “humor”, sendo uma importante ferramenta na emissão de sinais sociais.


Cera é a área nua e carnuda presente na base da maxila das aves, bem desenvolvida em algumas espécies, como nos falcões, gaviões, pombos, corujas, papagaios, entre outros. A coloração, a textura e o formato dessa estrutura varia conforme a espécie. Além de abrigar as narinas, a cera pode ser útil na sinalização da fase reprodutiva ou na diferenciação de macho e fêmea de certas espécies de aves.

Nos caracarás (Caracara plancus e Caracara cheriway) a cor da cera está relacionada ao estado de humor da ave. Quando os caracarás estão em repouso ou relaxados, a cera apresenta-se em cor vermelha ou laranja, alterando-se para o amarelo brilhante quando estão agitados/estressados ou excitados. Porém, a cor da cera dessas aves não pode ser interpretada apenas a estar “relaxada” ou “agitada”, ela também é muito útil na emissão de sinais sociais em interações agonísticas.

Na Flórida/EUA, o pesquisador James F. Dwyer (2014) conduziu um estudo sobre a relação da cor da cera com as interações inter e intraespecíficas dos caracarás-do-norte (C. cheriway). O autor observou que as cores da cera exibidas entre os caracarás de uma interação agonística está relacionada ao papel dos participantes nas interações. Os caracarás agressores (dominantes) exibiam cera de amarelo brilhante, enquanto que os caracarás receptores (submissos) apresentavam cera vermelha.

Isso foi observado tanto em interações entre caracarás, quanto em interações com outras espécies (urubus, Coragyps e Cathartes). Mesmo indivíduos jovens de caracarás, que normalmente possuem ceras em tons rosados, tornavam-se amarelo durante interações agonísticas nas quais eram agressores. O autor observou que os caracarás vencedores (que exibiam a cera amarela durante as disputas de comida), normalmente eram os que se alimentavam da carcaça contestada, enquanto que os perdedores (que exibiam cera laranja) se afastavam do local.

Cor da cera do caracará-do-norte (Caracara cheriway) em distintas situações. A) Indivíduo jovem em repouso, com cera avermelhada; B) Jovem durante comportamento agonístico (head-back display), exibindo cera amarelada; C) Adulto em repouso, exibindo cera avermelhada, D) Adulto em comportamento agonístico (head-back display), exibindo cera amarela. Fotos: James F. Dwyer; adaptado de Dwyer (2014).
Essa relação da cor da cera com o papel dos participantes nas interações agonísticas, faz muito sentido para mim. Todas as vezes que observei caracarás (C. plancus) brigando, o agressor exibia a cera amarelo brilhante, e o que apanhava apresentava (ou passava a apresentar) a cera vermelha, como se estivesse dizendo "por favor, não quero mais brigar".

Caracarás (Caracara plancus) brigando por local de forrageio. A) À esquerda, adulto dominante exibindo a cera amarela agredindo um jovem (exibindo cera rósea). B) Adulto agressor no local contestado, e à direita o jovem submisso afastado exibindo a cera avermelhada.
Os benefícios da sinalização através da coloração da cera são bens discutidos entre os especialistas. Os indivíduos submissos, ao sinalizar sua condição de submissão, acaba facilitando o encerramento da briga, diminuindo assim o risco de uma lesão grave. Já o indivíduo agressor, ao sinalizar sua condição de dominante, intimida as outras aves, diminuindo os custos de tempo e energia, permitindo consumir os recursos defendidos ou redirecionar a agressão para outras aves (Bower 2005, McGregor 2005, Lehner et al. 2011).

E como os caracarás conseguem alterar a cor da cera?
Os caracarás conseguem alterar a cor da cera graças a alta vascularização presente nesta área da face. O sangue flui rapidamente através dos vasos sanguíneos da superfície deixando a cera em tons vermelhos. Quando os caracarás se tornam agitados, o fluxo de sangue na área é interrompido, deixando a cera de cor amarela ou pálida. Interessante que essas mudanças na cor da cera dos caracarás pode ocorrer em poucos segundos.

Vale ressaltar que em muitos outros falconídeos, a cor da cera está relacionada a idade ou ao sexo da ave. Esse é o caso do chimango (Milvago chimango), o macho adulto possuí a cera e os tarsos de cor amarelo brilhante, enquanto que a fêmea e o jovem possuem a cera rósea e os tarsos azulados.

Em alguns falconídeos do gênero Falco, a cor da cera indica apenas a idade da ave. Os jovens do falcão-peregrino (Falco peregrinus) e do falcão-de-peito-laranja (Falco deiroleucus), possuem a cera em tons azulados, enquanto que os adultos possuem a cera amarela. Além disso, nessas aves é comum a cera possuir cores mais brilhantes no período reprodutivo, como resultado da ação de hormônios. Já falcões pequenos, como o quiriquiri (Falco sparverius), a cor da cera é igual entre os sexos e idades, sem nenhuma alteração ao longo da vida.

À esquerda, macho adulto de chimango (Milvago chimango), que possuí cera e tarsos de cor amarelo brilhante; e à direita, fêmea adulta, que apresenta cera rósea e tarsos azulados. Foto: Paulo Fenalti.
Diferenças na cor da cera entre as idades. À esquerda, jovem falcão-peregrino (F. peregrinus) de cera azulada. À direita, adulto do falcão-peregrino (F. peregrinus) de cera amarelo brilhante. Fotos: Willian Menq.


Literatura relacionada:
Dwyer, J. F. (2014) Correlation of Cere Color with Intra- and Interspecific Agonistic Interactions of Crested Caracaras. Journal of Raptor Research 48:240-247.

Negro, J. J., Sarasola, J. H., F. Fariñas, & I. Zorrilla (2006) Function and occurrence of facial flushing in birds. Comparative Biochemistry and Physiology Part A: Molecular & Integrative Physiology 143:78-84.

Sarasola, J.H., Negro, J.J., Bechard, M.J. & A. Lanusse (2011) Not as similar as thought: sexual dichromatism in Chimango caracaras is expressed in the exposed skin but not in the plumage. Journal of Ornithology 152 (2):473-479.


Leia também:
Funções da coloração da plumagem das aves de rapina. Aves de Rapina Brasil.
Disponível em: http://www.avesderapinabrasil.com/arquivos/artigos/ARB4_7.pdf

16 de agosto de 2017

I Congresso de Ornitologia das Américas

Semana passada, aconteceu entre os dias 8 e 11 de agosto o I Congresso de Ornitologia das Américas, na cidade de Puerto Iguazú - Argentina, organizado conjuntamente pela Association of Field Ornithologists, Sociedade Brasileira de Ornitologia e Aves Argentinas.

O evento reuniu pesquisadores de todas as regiões das Américas, com predominância de brasileiros e argentinos. Houveram cerca de 350 apresentações científicas e sete conferências plenárias. Participei do congresso acompanhado de minha esposa Jessica Nascimento, das amigas Simone Mamede, Maristela Benites, e dos amigos Pedro Scherer-Neto e Ricardo Ribeiro. Também conheci e revi alguns amigos distantes.

Nas sessões científicas, além dos estudos clássicos de ecologia, comportamento e evolução, haviam muitos trabalhos sobre o uso da ciência-cidadã na compreensão de impactos, padrões biogeográficos e conservação de aves. Stephanie C. Schubert, por exemplo, falou sobre o uso do banco de dados do Wikiaves como ferramenta para compreensão da migração de aves brasileiras; Lucas W. Degroote discutiu sobre o uso da ciência-cidadã na elucidação de colisões com aves em vidraças; Luciano M. Lima usou a ciência-cidadã para compreender os padrões biogeográficos de vários táxons da Mata Atlântica; Simone Mamede falou sobre o mapeamento dos registros de gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) aliado a ciência-cidadã na região da Serra de Maracajú, MS.

Falando em aves de rapina, vários estudos com rapinantes foram apresentados no congresso, em sua maioria bem interessantes. Dos que eu pude ler ou assistir, destaco o trabalho do José H. Sarasola sobre a eletrocussão de aves de rapina em postes de energia na Argentina; do Maximiliano Galmes sobre o sucesso reprodutivo da águia-cinzenta (Urubitinga coronata) na região central da Argentina; da Maristela Benites sobre o monitoramento de um ninho de gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) na Serra do Maracajú, MS; da Jessica Nascimento sobre a composição de corujas na área urbana de Campo Grande, MS; do Santiago Zuluaga sobre a ecologia de movimentos aplicada à conservação de aves ameaçadas, incluindo o Spizaetus isidori e Urubitinga coronata; do J. Monsalvo sobre as espécies da região neotropical com escassas informações acerca de sua da biologia reprodutiva; da Natalia Rebolo sobre o espaço aéreo do condor-andino (Vultur gryphus) e os conflitos com as atividades humanas; além de muitos outros, infelizmente não dá para citar todos aqui.

Livro de resumos do congresso disponível neste link.

No congresso apresentei os resultados preliminares de um estudo antigo sobre a eficiência do playback na detecção de corujas florestais. Através de informações obtidas de forma eventual em corujadas pelo interior do Paraná, fiz uma comparação entre duas técnicas para amostragem de corujas: 1) ponto de escuta, e 2) playback. Como esperado, o playback demonstrou ser bastante eficiente na detecção de corujas, especialmente nas espécies do gênero Strix e Pulsatrix, aumentando de 30 a 80% o sucesso nas taxas de contato com as espécies.

Sessão de painéis do dia 09 de agosto. Foto: W. Menq

Apresentando trabalho sobre a eficiência do playback na detecção de corujas florestais. Foto: Jessica Nascimento.
A cidade anfitriã do evento, bem como toda a região (incluindo Foz do Iguaçu, Brasil), é dominada pela Floresta Estacional Semidecidual, um tipo vegetacional da Mata Atlântica. Além dos atrativos de beleza cênica e áreas naturais, como as cataratas do Parque Nacional do Iguaçu, a região possui uma riqueza de aves impressionante, com quase 500 espécies catalogadas. Aproveitamos a estadia na cidade para ir a Foz do Iguaçu passarinhar nas trilhas do Parque Nacional do Iguaçu, visitar o Parque das Aves e o Refúgio Biológico Bela Vista. Do lado argentino, fomos no centro de resgate e reabilitação Guira Oga e no famoso jardim dos beija-flores.

Jacutinga (Aburria jacutinga) registrada na trilha de acesso às Cataratas do Iguaçu. Foto: W. Menq

Harpia (Harpia harpyja) fêmea, do projeto de reprodução de harpias do Refúgio Biológico Bela Vista,
Foz do Iguaçu/PR. Foto: W. Menq.
 
Visitando o Parque das Aves na companhia dos amigos Pedro Scherer-Neto, Edmilson, Macedo, Simone Mamede, Maristela Benites e Jessica Nascmento. Foz do Iguaçu/PR.
Gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) do centro de resgate e reabilitação Guira Oga, Puerto Iguazú, Argentina. Foto: W. Menq.

Anacã (Deroptyus accipitrinus) no recinto do Parque das Aves, Foz do Iguaçu/PR. Foto: W. Menq.

4 de agosto de 2017

Corujas atraídas pelo som de outras corujas: defesa territorial ou predação?

Na maioria das vezes é defesa territorial, mas dependendo do comportamento e das espécies envolvidas, a situação pode ser de predação!

Coruja-listrada (Strix hylophila) atraída pelo playback de caburé-acanelado (Aegolius harrisii).
Foto: W. Menq, Campos do Jordão/SP.
Durante execuções de playback, é comum as corujas responderem o canto de outra espécie (playback cruzado). Isso ocorre, pois são aves territoriais, defendem seu território através de chamados e comportamentos agonísticos contra qualquer opositor.

Já registrei diversas vezes a coruja-do-mato (Strix virgata) vindo no som de coruja-preta (Strix huhula), murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) aparecendo no som de coruja-do-mato (Strix virgata), corujinha-do-mato (Megascops choliba) aparecendo no som de corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae), e vice-versa. Normalmente, em situações de defesa territorial, as aves atraídas pelo playback cantam freneticamente para afastar/intimidar o rival, seja ele da mesma espécie ou não.

Mas nem sempre a intenção da coruja atraída é a de afastar o opositor. Dependendo das espécies envolvidas o comportamento pode ser atribuído ao de predação.

Em junho de 2013, durante uma corujada na área rural de Campos do Jordão/SP, fui surpreendido por um vulto de uma grande coruja que pousou em uma Araucária bem a minha frente. Era uma coruja-listrada (Strix hylophila), que apareceu silenciosamente atraída pelo playback do caburé-acanelado (Aegolius harrisii). Considerando que a coruja apareceu discretamente, em um poleiro à baixa altura, e sem vocalizar, é possível que ela estava interessada em predar o simulado caburé-acanelado (A. harrisii), que tem um terço de seu peso.

Observações de predações entre corujas são raras de serem obtidas na natureza, mas essas interações devem ser mais frequentes do que imaginamos. Algumas espécies grandes, como as do gênero Pulsatrix e Asio, são afamadas predadoras de aves, capturando desde periquitos e saíras dormindo em seus poleiros noturnos, até aves do seu próprio tamanho (veja aqui).

No Brasil, existem alguns registros de murucututu (Pulsatrix perspicillata), jacurutu (Bubo virginianus) e mochos (Asio spp.), predando corujas menores, como as do gênero Athene e Megascops. No município de Itarumã/GO, D. Mota (com. pess.) encontrou no ninho de murucututu (Pulsatrix perscipillata), restos de uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia). Em Lavras/MG, K. Santos (com. pess) encontrou no ninho de jacurutu (B. virginianus), restos de uma suindara (Tyto furcata).

À esquerda, filhote de murucututu (P. perspicillata) no ninho, com carcaça de uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia). Foto: Danilo Mota. À direita, filhotes de jacurutu (Bubo virginianus) no ninho, com restos de uma suindara (Tyto furcata). Foto: Kassius Santos.
Devido a vulnerabilidade, é comum espécies pequenas serem inibidas (silenciando-se) durante a reprodução do playback de espécies maiores.

Não só o playback de corujas pequenas pode chamar a atenção das corujas maiores, o canto de outras aves noturnas também. Recentemente, durante uma amostragem noturna no Parque Estadual do Cunhambebe, em Mangaratiba/RJ, vivenciei uma situação parecida. Quando tentava atrair um joão-corta-pau (Antrostomus rufus) com playback, uma murucututu-de-barriga-amarela (P. koeniswaldiana) apareceu silenciosamente em um poleiro baixo à frente de mim, provavelmente interessada em capturar o possível bacurau. Sorte dele que não apareceu!

Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) atraída pelo playback de um joão-corta-pau (Antrostomus rufus). Foto: W. Menq, Mangaratiba/RJ.
E você, já viu alguma coruja grande vindo no som de uma menor?