12 de setembro de 2016

A redescoberta da harpia no Rio Grande do Sul

Harpia no PE do Turvo, março de 2015.
Foto: DAM.
*por: Dante Meller.
Vários são os aspectos que fazem da harpia uma das águias mais emblemáticas para os amantes da ornitologia. Além do enorme tamanho e da incomparável imponência, sua raridade é um dos atributos de destaque. Atualmente, a espécie já desapareceu de grande parte das florestas tropicais onde antes reinava absoluta no dossel florestal.

No Rio Grande do Sul, apesar de ter sido considerada extinta por longo período, a harpia recentemente decidiu se revelar...

A verdade é que hoje em dia para se ver uma harpia o melhor é ir para a Amazônia mesmo. Na Mata Atlântica, infelizmente, sobraram pouquíssimas, com a maior parte dos registros provenientes do Espírito Santo e Bahia. Ao sul, ela tem sido encontrada mais frequentemente em Misiones (Argentina).

22 de agosto de 2016

Aves que imitam o canto de falcões

Ouviu um falcão-relógio (Micrastur semitorquatus) ou falcão-caburé (Micrastur ruficollis) cantando? Atente-se, pode ser outra ave imitando-os!

*por: Willian Menq.
A imitação de cantos de espécies alheiras é comum entre as aves brasileiras, especialmente nos emberezídeos, icterídeos, turdídeos, mimídeos, corvídeos, pscitacídeos, cuculídeos e ranfastídeos. No caso dos icterídeos e corvídeos, as imitações podem incluir o canto de alguns rapinantes florestais, especialmente os do gênero Micrastur.

20 de julho de 2016

Observando aves de rapina em Rio Claro/SP

*por: Willian Menq.
A região de Rio Claro/SP é conhecida por apresentar uma elevada riqueza de aves de rapina. Das 99 espécies de rapinantes existentes no Brasil, pelo menos 45 já foram registradas no município e arredores. Apesar da elevada riqueza de rapinantes, encontrar boa parte dessas espécies na natureza não é nada fácil.

A maioria são ariscas, inconspícuas, possuem populações pequenas e esparsas, necessitam de áreas de vida relativamente grandes e muitas vezes podem habitar locais de difícil acesso.

30 de maio de 2016

Os rapinantes a serem (re)descobertos no Brasil

*por: Willian Menq.
Semana passada, no Avistar Brasil, fomos apresentados a uma das notícias ornitológicas mais fantásticas dos últimos tempos, a redescoberta da rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), desaparecida há 75 anos, considerada extinta pelos pesquisadores. A raríssima ave foi registrada pelo ornitólogo Rafael Bessa, durante uma expedição no interior de Minas Gerais. Notícias assim são incríveis, emocionantes e renovam nossas esperanças.

Aproveitando o tema, e nas aves de rapina do Brasil? Existem espécies que poderiam ser redescobertas?

19 de maio de 2016

O raríssimo gavião-de-rabo-branco “morfo ruivo”

*por: Willian Menq.
Há plumagens tão raras que nem nos guias de campo são encontradas. Esse é o caso da chamada plumagem “morfo ruiva” do gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus). Ao contrario da tradicional forma escura, nesta os indivíduos têm o peito, o abdômen e os calções marrom-ruivo contrastando com a cabeça e costas cinza-escuras.

Essa variação de plumagem provavelmente é ocasionada pelo excesso de alguns pigmentos, como a eumelanina ou pheomelanina, que dão tonalidades marrom ou ruiva na plumagem dos rapinantes.

15 de maio de 2016

Urubus são aves de rapina?

*por: Willian Menq.
Discussão diverge opiniões entre os pesquisadores. Como sabemos, o termo "aves de rapina" agrupa aves de várias famílias de linhagens evolutivas distintas, que compartilham determinadas características e adaptações para a caça ativa, como o bico curvo e afiado, garras fortes, voo poderoso, além de uma excelente visão e audição.

Justamente por não serem caçadores e não apresentarem algumas dessas características (bicos e garras fortes), alguns autores simplesmente não consideram os urubus no grupo das rapinas.

11 de maio de 2016

A aprendizagem de caça nas aves de rapina

Jovem gavião-miúdo (Accipiter striatus)
aprendendo a caçar. Foto: Willian Menq. 
*por: Willian Menq.
A aprendizagem de caça começa cedo na vida de um rapinante. Ainda no ninho, o filhote recebe presas inteiras dos pais. Assim, aprende a reconhecer as espécies que fazem parte de sua dieta e também a dilacerar e rasgar suas presas.

A verdade é que as aves de rapina já possuem muitos dos seus métodos de caça e dieta implantados em seu DNA. Indivíduos jovens podem executar uma sequência completa de caça mesmo sem nunca ter caçado antes.

7 de maio de 2016

As buraqueiras de olhos escuros

*por: Willian Menq.
A algum tempo atrás, vi essa fotografia de uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia) com olhos escuros, registrada pelo Gustavo Pinto em Americana/SP. É um registro bem interessante, já que os olhos escuros é uma característica incomum e rara para a espécie, que tipicamente apresenta olhos amarelo.

Outras corujas brasileiras, como a corujinha-sapo (Megascops atricapilla) e a corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae), é relativamente comum a presença de indivíduos com olhos castanhos/escuros. Na coruja-buraqueira, é o primeiro caso que eu vejo para o Brasil.